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domingo, 3 de novembro de 2019



- Adeus, disse ele a flor. Mas a flor não respondeu.- Adeus, repetiu ele.
A flor tossiu. Mas não era por causa do resfriado. Sou uma boba. Perdoe-me. Quero que seja feliz. -Ele se surpreendeu por ela não se queixar. Com a redoma de vidro nas mãos, ficou encabulado. Difícil para ele entender tanta amabilidade.


—Sabe que amo você? -Confessou a flor.- —Se nunca percebeu, a culpa é minha. Mas não tem nenhuma importância, você é tão bobo quanto eu. Quero que seja feliz… Largue essa redoma, não preciso mais dela.


– Mas o vento…
– Não estou tão resfriada assim… O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.
– Mas os bichos…
– É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem irá visitar-me? Tu estarás longe… Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras. E ela mostrou ingenuamente seus quatro espinhos. Em seguida acrescentou: —O que está esperando? Não fique aí parado. Se decidiu ir embora, vá logo! -Ela não queria que a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa…
-Eu não deveria ter lhe dado ouvidos … É melhor não escutar as flores. Basta admirá-las e aspirar seu perfume. A minha perfumava todo o meu planeta, mas eu nem ligava. Aquela história de garras me incomodou muito, e, no entanto, deveria ter me agradado.


Há coisas que não posso compreender! Acho que deveria tê-la julgado por seus atos, e não por suas palavras. Ela era perfumada e me alegrava. Nunca deveria tê-la abandonado. Deveria ter captado sua ternura por trás de seu jeito rude. Como as flores são complicadas! Mas eu era ainda muito jovem para saber amá-la! Há milhares de anos as flores produzem espinhos. Há milhares de anos os carneiros, apesar disso, comem flores. E não considera importante descobrir por que elas fazem tão mal a si mesmas produzindo espinhos que não servem para nada?



LIVRO: O PEQUENO PRÍNCIPE 

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